Sócrates morreu em defesa da Filosofia, conversando com amigos e discípulos.

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A Escola Hoje

 

1. Segundo a tradição, a escola é o lugar onde é transmitido um ensino colectivo, geral ou especializado; a actividade escolar é dominada pela preocupação de seleccionar mais do que formar crianças e jovens. Partindo desta ideia, o professor, possuidor de um saber acabado, inquestionável, transmite este dogmaticamente, a partir da convicção de que aprender é apenas assimilar e memorizar ideias ou conceitos. De acordo com esta concepção, o que se exigia, neste tipo de escola, era que os alunos tivessem uma boa capacidade de recepção e de memorização dos saberes transmitidos, sob pena de não verem os seus esforços coroados de êxito. Esta é a escola em que, muitos de nós, fizemos a nossa própria aprendizagem.

Infelizmente, temos de reconhecer que, ainda hoje, existem professores [e não poucos], nos diversos níveis de ensino [Básico, Secundário e Universitário – alguns acabados de chegar ao Sistema!], que pensam que o «ensino» é assim, e assim «ensinam», sem, pelo menos, se questionarem sobre a eficácia da sua prática lectiva, quando no final de um período escolar ou ano lectivo os resultados do seu «ensino» são francamente negativos, sabendo apenas dizer «que os alunos têm uma deficiente preparação de base», remetendo as suas responsabilidades para os outros, acrescentando «que eles não sabem ler nem escrever, que não estudam nem sabem pensar...», alijando, desta forma, a sua responsabilidade, e com isso se satisfazem!

2. A escola do tempo hodierno não deve ser aquela. Terá que ser outra muito diferente. A escola que faz sentido é a que está orientada para a mudança, aberta e antidogmática, transformando-se num espaço onde dê gosto estar, aprender e ensinar. É a escola onde os alunos encontrarão bem-estar e informação versus formação.

Os resquícios ainda existentes da escola do passado terão que transformar-se na Escola Cultural, como diz o Professor Manuel Patrício, ou, como diremos nós, na Escola do Futuro, na qual a experiência e o saber se entre­cruzam, possibilitando múltiplas interacções e aprendizagens. É esta a escola por que anseiam as nossas crianças, adolescentes e jovens. É esta a escola que todos nós, Ministé­rio da Educação, professores, alunos, pais e encarregados de educação temos de motivar.

3. Quer se queira ou não, esta escola em transformação [que muitos denominam de «escola nova»], aberta ao futuro, está essencialmente nas mãos dos professores criá-la e conduzi-la, na medida em que são eles os agentes primeiros do desenvolvimento do processo curricular, e porque trazem consigo a sua experiência, vivência e saber para a escola e para a sala de aula, capital acumulado  de que os alunos poderão ser os beneficiários, desde que estes também tenham a liberdade de adoptar, pôr em dúvida, questionar aquele saber feito de tempo. É desta forma, a nosso ver, que começa a escola do futuro.

Também o aluno, sujeito da aprendizagem, traz consigo as marcas do seu meio envolvente, o seu saber, as suas vivências e experiências de vida que, se todos em aula [ou no exterior], docentes e discentes, forem capazes de clarificar, tornarão a sala de aula num espaço vivo e actuante, espaço de trabalho e de realização do processo de ensino-aprendizagem. E então, a escola motivar-se-á, actua­lizar-se-á e abrir-se-á ao futuro. Com efeito, é esta escola emergente dos ideais da Democracia que será capaz de produzir conhecimentos, criar cultura, desenvolver capacidades intelectuais e técnicas, promover a compreensão, a tolerância, a aceitação da diferença, o aprofundamento de valores.

4. É esta dialéctica permanente que proporcionará a produção de saberes e a sua aprendizagem pelos alunos. Deste modo, a relação pedagógica alterar-se-á profundamente, uma vez que passa a ser fundamentada em princípios de ordem ética e nos valores residuais que enformam as personalidades de cada aluno e dos professores. Só desta forma o trabalho do docente é valorizado e este passa, de facto, a ser encarado como professor, mas também como educador, como conselheiro e como amigo. A população escolar, de acordo com esta concepção de ensino-aprendizagem, passa a adquirir respeito e confiança pela sua escola ao ver nela um local onde ocorrem múltiplas vivências, o encontro de pessoas, troca de experiências e aquisição de saberes em construção.

5. Resultará desta filosofia educativa, que a sala de aula – espaço de implementação e desenvolvimento de saberes – deixará de ser as quatro paredes desnudas e passará a ser um espaço acolhedor, protector e aberto.

Contudo, chegado o tempo, a nova escola fará o aluno sentir a necessidade de a abandonar, «forçando-o» a entrar num outro mundo, outro espaço, em busca de mais informação e saber, que a escola já não pode dar, que se traduzirá numa experiência de vida necessária e complementar, ainda não conhecida do aluno, mas que lá fora pulula agressivamente e que, aliada à sua experiência escolar, o preparará para a realidade que o espreita, passada a idade de alguma irresponsabilidade, rebeldia e de muitos sonhos: o mundo austero da vida, do trabalho, da concorrência e, não raro, do desencanto. (António Pinela, Reflexões). Mais

 
 

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Sobre o autor dos textos Última actualização: 15/06/19
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