A Filosofia é uma concepção do mundo e da vida, é amor pela sabedoria, é reflexão crítica e investigativa do conhecimento e do ser. António A. B. Pinela

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A acção do filósofo

 

O filósofo, antes de o ser, é um ser humano comum, como qualquer outro, com desejos e vontades, alegrias e tristezas, que odeia e que ama. No entanto, enquanto filósofo e ao exercer a sua função, ele é uma pessoa que está acima das paixões e dos acidentes da vida. A perturbação da razão nunca produzirá um discurso filosófico.

Haja em vista que uma das actividades mais importantes do filósofo é reflectir e questionar sobre a essência humana, sobre o universo e a verdade, tudo considerado de modo holístico.

Como pensador, professor ou escritor, analisando as principais questões da sociedade, o filósofo só ganhará credibilidade e será ouvido pugnando pela verdade. Se assim não fizer, ele nunca será um filósofo à luz da razão. Será outra coisa...

O filósofo não aceita o que lhe é presente, mesmo com aparência de verdade, sem o respectivo questionamento, sem a eficiência da respectiva crítica, analisando com proficiência acontecimentos, actos, factos ou tendências no âmbito da sociedade.

A narrativa filosófica deverá ser clara, sem ambiguidades, sem segundas leituras (é ou não é), porque se funda na análise do pensamento reflexivo e crítico, e no respeito evidente pela busca da verdade.

Para alcançar este desiderato, o filósofo não se sujeitará a preconceitos, a modismos, a ideias feitas ou preconcebidas e, sobretudo, não se deixará manipular pelos interesses instalados, como interesses económicos, políticos, de oportunidade ou outros. Se cair nesta armadilha, não agirá como filósofo.

Por tudo isto, aquele que exerce a actividade filosófica tem que penetrar fundo na essência da Filosofia: ouvindo o eco humano, pressentindo o que a humanidade anseia. Como pode o filósofo ouvir o eco humano? É simples. Por exemplo: quem não preza a liberdade? O eco humano não emerge do grito da minha liberdade ou da tua liberdade, individualmente; mas sim, quando em uníssono se ouve o grito da minha liberdade, a tua liberdade e a liberdade do outro. Que valor pode ter a defesa da liberdade individual, particular, se ignorarmos a liberdade dos outros, ou geral?

Aquele que apenas pugna pela liberdade individual, situa-se no plano do egoísmo, pois só pensa em si próprio, trata apenas de si e dos seus interesses; ao invés, aquele que se propõe auscultar os outros, o próximo, o bem social, situa-se no plano altruísta. O primeiro preocupa-se apenas consigo próprio; o segundo, sentindo a vivência de uma comunidade, na qual está integrado, preocupa-se com o geral. O primeiro torna-se individualista, egocêntrico; o segundo torna-se empático, vendo no próximo um igual a si mesmo ─ princípio primordial susceptível de fundar uma sociedade mais justa. (António A. B. Pinela, Reflexões, 02.11.2020)

 
 
 

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