A Filosofia é uma concepção do mundo e da vida, é amor pela sabedoria, é reflexão crítica e investigativa do conhecimento e do ser. António A. B. Pinela

Edição online

Página inicial  |  Filosofia  |  Filósofos  |  Glossário  |  Perfil do autor    

 

O Regresso ao Existencialismo

 

Como outras correntes da Filosofia, o existencialismo marca o seu tempo. Compreende-se que o século vinte tenha produzido esta forma de pensamento. Pensamento traduzido numa filosofia que melhor responde ao tempo vivido, a partir da Primeira Grande Guerra Mundial. Começa, neste período a estar em causa a preservação da existência humana, como se verificou com a Segunda Guerra Mundial, e outras ocorrências ulteriores, outras Guerras. Desta forma, o existencialismo não é uma filosofia que, prioritariamente, se contraponha a quaisquer outras correntes de pensamento, mas sim uma forma de dar resposta àqueles para quem a vida humana mais não é do que um simples instrumento, que pode ser útil em determinado momento mas que, depois, se ostraciza ou destrói, quando deixa de ter utilidade; para quem, o cidadão, que perde esta qualidade, às mãos de déspotas ou de personalidades toscas, não passa de simples número estatístico.

É tal a força deste novo modo de pensar (o existencialismo) que influenciará todas as formas de expressão do pensamento, no decurso do século XX. Nenhuma manifestação humanista ficou incólume à sua presença: da filosofia à literatura, do ensaio ao teatro, do cinema à telenovela. Em sentido positivo, o existencialismo passa a ser uma filosofia "em moda", da qual é impossível estar ausente.

Dadas as circunstâncias em que emerge, o existencialismo é uma corrente de pensamento muito diferente das correntes racionalistas que a antecederam, com relevância para o cartesianismo. Como diriam os seus cultores, é uma filosofia que se preocupa, não com as formas abstractas de pensamento, não com os encadeamentos lógicos, não com os sistemas em que é preciso enquadrar o ser humano, mas sim com o homem concreto, o homem em situação, o homem que vive, que ama e sofre. E, nesta medida, é uma filosofia que recusa a redução do homem ao plano conceptual das «lógicas» que imperavam e que voltam a imperar, em força, neste tempo que vivemos. Veja-se o que se passa com a organização da Europa, onde reinam as tecnocracias, e os homens sem rosto, eufemisticamente ditos: os mercados.

Uma vez que, o que caracteriza o homem, enquanto pensamento, não é a objectividade (estatística), mas sim a sua subjectividade; e sendo esta o ponto de partida do ser consciente, é a partir desta consciência que o homem pode alcançar a objectividade, e não o contrário. É com o meu pensamento que inicio o meu percurso consciente, e não inserto em espartilhos saídos de estereótipos por outros pensados, elaborados e impostos.

Partindo do primado da pessoa humana, afirmar-se-á que o existencialismo não é uma filosofia que se compare aos sistemas tradicionais, que procuram formas de unificação do pensamento, em torno de ideias chave, com vista a um todo organizado e constituído em sistema. Ao invés, o existencialismo preocupa-se e ocupa-se com a vida concreta do homem, com o mistério da vida, com o que se passa com o ser humano no dia-a-dia. Isto é, os problemas que a vida traz, os fracassos e as vitórias, a angústia e o desespero, o absurdo da vida e da morte e, também, a esperança. Simplesmente, é uma reflexão cujo fundamento autêntico e essencial é a vida concreta. É, por isso, uma filosofia do homem concreto.

Este tempo que vivemos, hoje, leva-me a revisitar esta corrente de pensamento, que continua a fazer sentido no século XXI. As Guerras que teimam em não parar; as agressões contínuas, de toda a ordem, à pessoa humana; a insegurança em todas as suas dimensões; os falsos democratas que por aí pululam, arrogando-se perigosamente da luz que ilumina as trevas; a moda das não ideologias, que nos deixa desarmados, porque ficamos sem saber quem é quem, ou das ideologias cegas neoliberais, onde não é difícil encontrar protagonistas, que estão sempre determinados a aplicar os seus ideais, como se tem verificado, assim que a oportunidade surge.

É para contrariar esta situação que se justifica o regresso ao existencialismo, ou, dito de outra forma, à reflexão continuada sobre os valores que defendem a pessoa concreta. Sem deixar de agir, é necessário pensar. Pensar o Homem concreto. Tarefa de que os filósofos e outros pensadores sociais não se podem alhear, sob pena de não cumprirem a sua parte de responsabilidade em prol de uma sociedade justa (António Pinela, Reflexões, Setembro de 2003). Mais informação

 

 

LIVROS/EBOOKS

 

De

 

António A. B. Pinela

 

 

Horizontes da Filosofia

Ver informação

 

 

 

Para que serve a filosofia

Ver informação

 

 

 

Fundamentação Metafísica da Esperança em Gabriel Marcel

Ver informação

 

 

 

Vergílio Ferreira e o Existencialismo

Ver informação

 

 

 

A Razão universal em Álvaro Ribeiro

Ver informação

 

 

 

A felicidade segundo santo Agostinho

Mais informação

 

 

 

A desigualdade entre os homens segundo Rousseau

Ver informação

 

 

 

Felicidade e Natureza Humana Segundo David Hume

Ver informação

 

 

 

Organização e Desenvolvimento Curricular

Ver informação

 

 

 

Como organizar um trabalho escolar

Ver informação

 

 

 

Ciências da Educação - Glossário

Ver informação

 

 

 

ARQUIVO

 

Pensamentos

 

Programas de Filosofia

(Ens. Secundário)

 

Filosofia (Discip. ens. superior)

 

Provérbios

 

Sabia que...

 

Sete Sábios da Grécia

 

 

 

ORGANIZAÇÕES

 

Amnistia Internacional

 

Declaração Universal dos Direitos Humanos

 

Diário da República Electrónico

 

Disputatio International Journal of Philosophy

 

Encyclopédie de la philosophie

 

Eurydice

 

European Schoolnet

 

European Universities Association

 

Lusofonia (CPLP)

 

Philosophie & religion

 

Portal europeu sobre oportunidades de educação e formação

 

Stanford Encyclopedia of Philosophy

 

The Paideia Archive

 

ONU

 

UNESCO

 

União Europeia

 

 

Sobre EuroSophia  | Condições de utilização de textos e imagens | |   Contactos

 

© 2003-2020 www.eurosophia.com, Todos os direitos reservados