A Filosofia é uma concepção do mundo e da vida, é amor pela sabedoria, é reflexão crítica e investigativa do conhecimento e do ser. António A B Pinela

 

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Crise das civilizações e mutação de valores

 

Como escreve Manuel Garcia Morente [filósofo espanhol (1886-1942)], nos seus Fundamentos da Filosofia, todo o valor tem o seu contravalor. Ao valor conveniente contrapõe-se o valor inconveniente (contravalor); a bom contrapõe-se mau; a generoso contrapõe-se mesquinho; a belo contrapõe-se feio; a sublime contrapõe-se ridículo; a santo contrapõe-se profano. Não há um só valor, diz ele, que não tenha o seu contravalor negativo ou positivo.

Esta polaridade é susceptível de criar a indiferença humana por aqueles que defendem valores contrários e/ou contraditórios. Tal indiferença, quando foi levada ao extremo provocou rupturas, acentuou desigualdades, descambou em conflitos, prolongou crises. Contudo, esta polarização de valores é um registo constante da História. Neste sentido, recordando alguns episódios da História da Humanidade, o que vemos nós senão o desfilar de crises das civilizações e dos deuses; de períodos de pressão e de alguma tranquilidade. Assistiu-se à extinção do mundo grego e do império romano, ao nascimento da Europa de Carlos Magno e ao desmoronamento na civilização feudal; ao fulgor da expansão árabe e à retracção do predomínio dos Estados cristãos.

Adorou-se Cristo, adorou-se Maomé. Por ambos morreram homens, por ambos nasceram esperanças e se desfizeram ilusões. Em nome de um Deus infinitamente misericordioso, foram torturados hereges e não hereges, judeus e cristãos-novos. Estas visões da História levam, assim, a perguntar o que significa afinal um mundo em crise, o fim de uma civilização, a decadência dos valores tradicionais, os estados pobres. Poder-se-á dizer, que ao longo da História os povos estiveram sempre, mais ou menos, fracassados e em crise, que sempre se mostraram descontentes com os valores tradicionais e se consideravam no fim de um ciclo de civilização. Porque é uma realidade em devir, a civilização não se pode previamente definir nem limitar o seu andamento; é um processo contínuo que os homens vão vivendo, e sofrendo a sua natural e intermitente evolução. Quando o homem considerar a crise derrotada, a civilização estável, os valores imutáveis, as finanças do Estado favoráveis, então homem já não é homem, mas talvez seja uma máquina que obedecerá a qualquer outra máquina que o Homem tenha previamente criado.

A imaginação, a criação, a afirmação do homem levará fatalmente à permanente crise de valores e de civilizações. Quando houve estabilidade? Nem toda a gente leva a sério ou se apercebe da crise dos sistemas de valores vigentes e, por consequência, do caos que se vai instalando neste nosso mundo global, mas contraditório. Os valores económicos, que dominam as sociedades, são subvertidos pela ganância do poder e do dinheiro. A repartição da riqueza é adulterada. A humanidade é desprezada e vilipendiada pelos humanos.

Os homens destroem-se uns aos outros, querendo uns usufruir do trabalho que não produziram, e uns tantos dominar os restantes. As novas formas de vida, produto de uma sociedade altamente consumista, virada para o prazer fácil e imediato, torna o ser humano cada vez mais egoísta e desapegado dos outros, importando apenas o bem-estar pessoal, mesmo que o OUTRO, que é, afinal, a nossa razão de existir, seja simplesmente aniquilado pelas agruras da vida. A atitude fundamental da nova concepção de vida centra-se numa espécie de vida calculada e imediatista, sendo muito diferente dos modos de vida idealizados por sonhadores, poetas, filósofos e escritores. Vão longe os tempos dos ideais que pugnavam pela igualdade de oportunidades, uma vivência saudável, sem egoísmos nem fronteiras, alicerçada numa vida Justa e humanizada.

 António A. B. Pinela

 
 

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Última actualização: 14/06/17