A Filosofia é uma concepção do mundo e da vida, é amor pela sabedoria, é reflexão crítica e investigativa do conhecimento e do ser. António A B Pinela

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OS ESQUECIMENTOS DO SR. PRIMEIRO-MINISTRO

 

Afinal, o Sr. primeiro-ministro, Dr. Pedro Manuel Mamede Passos Coelho, não teve apenas problemas de esquecimento (ou ignorância) com a Segurança-Social que, segundo ele, pensava que era de pagamento optativo.

Por volta de 2003, um membro da minha família colectou-se nas finanças como trabalhador independente; após o acto, o funcionário que o atendeu disse-lhe, de forma imperativa: «Agora vá inscrever-se na Segurança Social”. No acto da inscrição, interroga a funcionário da Segurança Social: «que escalão escolhe?».

O não conhecimento da lei não iliba o incumpridor de alegar tal situação. E, além disso, o Sr. Passos Coelho, ao tempo, já tinha passado por uma (de entre outras) experiência política de elevada responsabilidade: deputado da Nação. Como alegar o desconhecimento da lei?

Os seus esquecimentos também se espraiaram aos pagamentos das suas obrigações fiscais, como os media bastamente têm difundido.

Ora, segundo se diz e escreve, o Sr. Dr. Passos Coelho foi alvo, entre 2003 e 2007, de cinco processos de execução fiscal. Alegadamente, estes processos referem-se ao ‘nobre’ esquecimento da entrega, atempada, das declarações do IRS!

Consta que a execução fiscal terá sido de cerca de 6 mil euros, e segundo o Jornal “Expresso”, correspondem ao esquecimento que decorre num longo período, que vai de 2003 a 2007. O senhor sofre mesmo da síndrome do esquecimento!

Disse, por estes dias, o Sr. Primeiro-ministro que não é um cidadão perfeito, ninguém o é. Como tal, terá entendido, no seu alto conceito, que não sendo perfeito, é natural que se tivesse esquecido de entregar, no seu devido tempo, aquelas declarações.

O problema não está num esquecimento, que poderá, a todo o momento, chegar à memória. O problema está numa sucessão de anos em que o Dr. Passos Coelho se esqueceu daquela obrigação, enquanto cidadão.

O primeiro-ministro, Dr. Pedro Passos Coelho, deve, por isso, um pedido de desculpas aos portugueses, que todos os anos são obrigados o declarar os seus rendimentos às finanças, no tempo em que estas decidem; e quando não o fazem, o Sr. primeiro-ministro sabe muito bem o que é que lhes acontece. Ou não sabe?

Aplica-se muito bem, nesta situação, aquela velha sentença: “Que bem prega são Tomaz, faz o que ele diz, mas não o que ele faz”: Assim vai a política, a ética e a moral do nosso pobre e triste Portugal, à beira-mar plantado (António A. B. Pinela, Reflexões, Quinta-feira, 05.03.15)

 
 

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Última actualização: 06/03/18