A Filosofia é uma concepção do mundo e da vida, é amor pela sabedoria, é reflexão crítica e investigativa do conhecimento e do ser. António A B Pinela

 

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Saber filosofia e filosofar

 

«No decurso do estudo da Filosofia, o leitor aperceber-se-á que esta disciplina, para ser assimilada, deverá ser vivida, mas não memorizada ou “cabulada”. A vivência da Filosofia faz-se em contacto com o professor da disciplina e com as obras dos filósofos. Não é compensador memorizar meia dúzia de conceitos, ou filosofemas, sem os compreender, para impressionar o nosso interlocutor – professor, amigo, colega ou familiar – para mostrar saber. O saber constrói-se passo-a-passo, ouvindo, lendo, reflectindo, experimentando, debatendo, explicando, pondo à prova. Assim, para aprofundar e sedimentar conhecimentos, será aconselhável ler textos de Filosofia indicados nas bibliografias específicas, se outra fonte mais directa não houver.

Será de alguma utilidade partir à descoberta de uma disciplina (ou aprofundamento da mesma) em que os seus ensinamentos, que mais não seja, permitirão compreender os meandros do pensamento filosófico, cujas raízes se “perdem” no tempo, mas que a tradição regista desde os finais do século VII, princípios do VI a.C., sendo um dos pilares primordiais da Cultura Ocidental.

Como deverá, então, iniciar-se o estudo do pensamento filosófico? Deverá o aprendiz de Filosofia estudar as ideias e concepções filosóficas dos grandes filósofos e considerá-las como suas? Deverá, antes, aprender (memorizar) concei­tos e mostrar que os sabe, quando solicitado? Ou, pelo contrário, deverá, o iniciado no estudo desta disciplina, tentar compreender os grandes temas que preocuparam e preocupam os filósofos, reflectindo sobre eles, a fim de lhe assimilar o sentido e o valor?

(…) Todas as disciplinas são revestidas das suas dificuldades próprias, e nenhuma se aprende se não for estudada. Mas estudar Filosofia não é tão-somente memorizar conceitos ou datas, como se faz com um número de telefone, uma fórmula química, um poema de Camões ou uma receita de culinária. A Filosofia estuda-se lendo, reflectindo e conversando sobre as ideias, as concepções, os princípios propostos pelos filósofos, pelos professores, pelas circunstâncias da vida, compreendendo e elucidando os sentidos dos filosofemas em análise.

Saber Filosofia e filosofar também não é, apenas, adoptar umas tantas ideias de autores consagrados e debitá-las, invariavelmente, toda a vida. É importante conhecer a História da Filosofia, mas o filósofo, para além do conhecimento da História da sua disciplina, por definição faz filosofia; e fazer filosofia não é simplesmente adoptar as ideias dos autores estudados, sem sair delas, mas sim é também começar a construir as ideias e concepções próprias sobre a vida e a sua realidade. Para isso, é necessário que se faça o esforço mental suficiente para intuir o espírito filosófico, que significa compreender as dificuldades efectivas que nas coisas se afiguram fáceis, e superar a superficialidade do que vulgarmente se denomina por conhecimento empírico.

No entanto, como qualquer outra actividade, também o iniciado nos assuntos da Filosofia parte de experiências que não são suas; todos aprendemos com as experiências dos nossos mestres, e isso não é nenhum defeito, nem actividade menor. Mas se pretendemos ir mais além no saber, depois de nos familiarizarmos com aquelas experiências, até que as tenhamos como coisa “nossa”, é preciso ter a capacidade suficiente para nos irmos afastando delas e a partir delas formarmos as nossas, como já fizera Aristóteles em relação ao seu mestre, Platão.

Note-se, contudo, que nenhum modo de pensar é absolutamente genuíno, porque o nosso pensamento parte sempre das concepções anteriores ou contemporâneas. O que é genuíno é o modo como organizamos as nossas reflexões; o que é original é a forma como vemos e concebemos o mundo, como propomos soluções, como resolvemos problemas. Mas, no limite, tudo está relacionado com as nossas aprendizagens anteriores, as nossas vivências e valores, a nossa educação e instrução, as nossas influências e cultura, enfim, com o nosso caminhar, que sempre nos acompanhará». Mais

António A B Pinela, Horizontes da Filosofia, pp. 58-60.

 
 
 
 
 
 

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Última actualização: 14/06/17