A Filosofia é uma concepção do mundo e da vida, é amor pela sabedoria, é reflexão crítica e investigativa do conhecimento e do ser. António A. B. Pinela

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O Linguarejar de Algumas Criaturas

 

«A medida é coisa óptima.»

Cleobulo

Pensava eu que a Política, além de ser, segundo os Antigos gregos, a arte de bem governar a polis, também seria, mas pelos vistos não é, debate de ideias, troca de opiniões, respeito pelo outro, procura do caminho que melhor sirva a pessoa humana, para a condução de uma boa prática das ideias e dos princípios.

Pensava eu que a política, ciência humana, era uma aprendizagem permanente dos conteúdos da democracia. Pensava eu que assim era, mas pelos vistos não é! E pensava eu que a democracia também significava alternância das ideias, dos princípios e, por conseguinte, do poder. Mas alguns querem que não seja!

A democracia não seria aquilo que é, mas o que meia dúzia quereria que fosse: centralismo (o chamado centralismo democrático), paragem no tempo, o fim da história. Não é isto que queriam, mas não conseguiram, os chamados marxistas-leninistas? Para estes, que têm uma visão reducionista da vida, da política e da democracia, só é valido aquilo que eles próprios entendem e determinam para ser válido. Por mais interessantes, úteis e evidentes que sejam as ideias dos outros, porque não foram eles que as produziram, logo não prestam.

Mais ou menos à moda de um silogismo aristotélico, é assim que raciocinam: «estas ideias ou prestam ou não prestam», «se são nossas prestam, se não são nossas não prestam», LOGO, «como estas ideias não são nossas, então não prestam».

E emergem, assim, como uma vanguarda iluminado, sabedora de tudo, investida por um ser transcendente para que indiquem o caminho ao comum dos mortais. Eles, a tal minoria iluminada, vieram ao mundo com um mandato divino, qual ópio do povo, para endireitar os desalinhados...

Vem tudo isto a propósito da arrogância desmedida e falta de urbanidade de alguns intervenientes políticos, muito doutos, da nossa praça, quando se dirigem a alguém que não perfilha ou adopta as suas ideias. Ainda não perceberam, talvez não sejam capazes, que cada indivíduo é dono dos seus pensamento, tem uma personalidade que é diferente da de todas as outras, tem uma maneira ser e de estar que é própria. Quando é que entendem isto?

É comum que tais iluminados, que tudo sabem, para marcarem a sua diferença, e porque assim se sentem felizes, quando se dirigem aos outros, geralmente usam expressões encantadores, que afinal só os revela, tais como: «desconhece o que está a dizer...», «informe-se melhor...», «não é de cá...», «não estava cá...», «não sabe fazer contas...», «não sabe o que está a dizer...», «tenha cuidado...», «vá para a sua terra...», «veja bem o que diz...», «vê mal... mude de lentes...». Enfim, dá gosto ouvir o seu elevado e fino vocabulário, de recorte tão brilhante.

Dá gosto ouvir este vocabulário entre pessoas civilizadas, ditas muito instruídas, muito cultas, muito qualquer coisa..., sem se coibirem de ofender seja quem for! O que importa é que atinjam os seus objectivos: fazer chacota para que os presentes oiçam que eles sabem dizer coisas com tão elevada erudição! Esquecendo-se que, com isso, também estão a ferir as instituições democráticas, que tanto, tanto... dizem defender.

Mas, além do vocabulário vociferado, ainda gritam, barafustam, gesticulam, esperneiam, ameaçam!. E não admitem, porque só eles tem direito à existência, que o outro tenha uma cosmovisão diferente da sua. Ainda não perceberam, e é uma pena que tenham dificuldade em perceber, que o mundo é multicolor. E, então, por falta de argumentos (o argumento é racional, não dogmático), gritando bem alto, e com gestos largos, ficam felizes porque acham que a gritaria lhes dá razão. Percebam que não é por se gritar, ameaçar ou espernear que se tem razão. Tem razão aquele que simplesmente tem razão. O resto é exibicionismo ou ignorância ou falta de argumentos. (António Pinela, Reflexões, Junho de 2002).

 

 

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