Philos + Sophia = Philosophia
 
 

Espaço de reflexão e de edição de textos de filosofia

 
 

A Filosofia é uma concepção do mundo e da vida, é amor pela sabedoria, é reflexão crítica e investigativa do conhecimento e do ser. António A. B. Pinela

 

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Que é a filosofia?A filosofia e os filósofos, O ensino da filosofiaO estudo da filosofiaPara que serve a filosofia. Mais

 
   

A

 

Abdução

Silogismo no qual a premissa maior é certa e a menor simplesmente provável, o que faz com que a conclusão seja apenas provável.

 

Absoluto

(Do Lat. Absolutum, separado), independente de outra coisa. O problema do absoluto é o problema fundamental da Filosofia: O ser existe em si, independentemente do pensamento que o pensa? Uma filosofia é realista na medida em que responde pela afirmativa (Parménides, Platão, Espinosa, Schelling), idealista no caso contrário (Fichte, Hegel), agnóstica se se recusa a responder (Kant). A investigação do absoluto é o motor de todo o trabalho intelectual e, mesmo, diria Hegel, de toda a acção humana. A reflexão filosófica conduz-nos ao absoluto. Para tanto, requer paciência e meditação infinitas. O absoluto está presente em toda a acção afectiva, na felicidade de agir ou de descobrir. Mas só a reflexão filosófica nos permite ter um conhecimento destes momentos privilegiados. Enfim, a ideia de absoluto é a ideia do ser incondicionado, independente, quer dizer, do ser que nada supõe, que se basta a si mesmo e que, portanto, é necessário, infinito e perfeito. O contrário do absoluto é o relativo, ou ser condicionado, dependente e, por este motivo, contingente, limitado, imperfeito.

 

Abstracção

Abstrair consiste em isolar, em separar mentalmente uma parte de um todo. As ideias abstractas são conceitos que somente retêm os caracteres gerais de uma classe de objectos e que se utilizam nos raciocínios, independentemente dos objectos que representam. A figura geométrica que concebemos é uma abstracção relativamente à forma concreta que percebemos (o círculo, a roda). O conceito «cavalo» é uma ideia abstracta, na medida em que a realidade só está presente nos cavalos particulares, de tal e tal raça, de tal e tal estatura (forma). A ideia abstracta evoca aqui uma configuração geral. A palavra «abstracção» designa, por conseguinte, ao mesmo tempo, a operação pela qual o espírito elabora os conceitos e esclarece a realidade a que estes pertencem. Sendo tudo no objecto concreto, individual, imerso nas condições da existência material, a representação conceptual desse objecto no espírito está inteiramente despojada de tudo o que na sua existência real o tornava concreta, material e individual. Numa palavra, a abstracção intelectual é a operação pela qual o espírito isola o objecto da sua existência concreta, e de tudo o que na realidade o torna acessível aos sentidos, tornando-o capaz de ser representado pela imaginação. Deste modo, a abstracção origina a representação estritamente imaterial dos objectos materiais.

 

Abstracto

Representação que se afasta do mundo sensível. O que é isolado e considerado à parte. Por exemplo, a ideia geral de «gato» é uma ideia abstracta, na medida em que a realidade não está presente como a realidade dos «gatos particulares», que tocamos.

 

Absurdo 

Absurdo é, etimologicamente, aquilo que nem sequer merece ser ouvido, porque é oposto à razão e ao bom senso. É algo sem sentido, irracional, ilógico ou disparatado. Em sentido mais restrito, chama-se absurda à proposição ou sentença que contraria o senso comum porque admite predicados incompatíveis.

 

Abulia 

Diminuição ou abolição da vontade, tanto por insuficiência do impulso psíquico, como por incapacidade do pensamento reflexivo, de passar ao acto.

 

Acaso

Facto fortuito. Combinação ou relação de acontecimentos que pertencem a séries causais independentes umas das outras.

 

Acção

O vocábulo acção deriva do latim actiõne, «acto de fazer», «realização». Efectivação da capacidade de agir. Neste sentido, acção significa a manifestação de uma força material ou de uma ideia: a acção de uma personalidade. Mais claramente, acção é o que se manifesta por actos, e o acto supõe um sujeito que por ele se exprime, se reflecte e se transforma. Pode-se, então, afirmar que para que haja acção é necessário: 1) Uma modificação do meio. É o denominador comum a toda a forma de actividade e compreende a actividade animal. 2) Um projecto, uma intenção, pelo menos em parte consciente, uma iniciativa voluntária (que é a negação do já dado). 3) Uma reacção sobre o que age. O homem torna-se então o produto das suas acções em vez de ser a causa imutável de actos circunstanciais. Pode-se, portanto, chamar «acção» a toda a operação pela qual o homem modifica intencionalmente seja o seu meio físico ou humano, seja a ele mesmo, o «exterior», reagindo sobre o interior e inversamente. No domínio pedagógico e educativo, a acção é geralmente a influência exercida por um ser sobre outro ser, nomeadamente pelo professor sobre a criança ou o aluno, com a finalidade de o fazer atingir certas metas ou de o levar a adoptar certos comportamentos ou condutas, nos planos físico, intelectual, moral, estético e social, etc. Mais particularmente, um ensino pela acção propõe-se fazer agir o aluno sobre as coisas, para lhe dar acesso ao conhecimento e à formação do espírito.

 

Acidente

Acontecimento fortuito. Em Filosofia acidente opõe-se a substância. O acidente é o que pode ter lugar ou desaparecer sem destruição da substância. Por exemplo, um acidente da vida é um acontecimento que não transforma a nossa personalidade: o indivíduo considera-o como um facto contingente e puramente natural, sem relação com as suas razões de ser profundo.

 

Actividade 

Faculdade de agir, capacidade de actuar. Mais especificamente: 1. Actos motivados de um indivíduo com o objectivo de produzir um resultado pela coordenação de intervenções dinâmicas, de ordem física e psíquica. 2. Trabalho proposto ao aluno com a finalidade de o fazer alcançar, a curto, médio ou a longo prazo, objectivos precisos, específicos ou gerais: aquisição de conhecimentos; formação do juízo; aprofundamento da reflexão; aperfeiçoamento manual ou intelectual; escolha de iniciativas; treino para o trabalho de grupo; desenvolvimento pessoal e do sentido social, etc.

 

Aculturação 

Encontro de culturas. No sentido lato do termo, é o desenvolvimento que abre progressivamente à criança o acesso à cultura do seu corpo, da sua sensibilidade e do seu espírito, graças às possibilidades de exploração racional das influências ou das pressões que o meio exerce sobre ela. Mas também desadaptação devido a uma mudança de meio (geográfico, profissional ou social). A aculturação é um fenómeno próprio de todos os emigrantes que perderam o seu meio cultural e ainda não estão integrados noutro meio. Deste modo, a aculturação traduz-se por um desequilíbrio psicológico e uma perda de valores sociais (de onde uma tendência para a delinquência nos novos emigrantes); o sentimento de uma não-integração social e uma perda do sentido do real podendo ir até à nevrose. A aculturação pode ser também o fenómeno de uma sociedade inteira: tais como os velhos países colonizados de África, que perderam os seus valores e a sua cultura tradicionais sem encontrar na cultura Ocidental os valores correspondendo exactamente aos seus gostos, seus sentimentos, às suas aspirações específicas.  

 

Adolescência 

Período da existência humana situado entre a infância e a idade adulta, no decorrer da qual o ser inacabado continua a crescer (adolescere), a desenvolver-se fisicamente, afectivamente, mentalmente, manifestando mudanças específicas de ordem biológica, intelectual, social, moral.

 

Afectividade 

Conjunto de fenómenos da vida afectiva (emoções, paixões, sentimentos). É a capacidade individual para experimentar o conjunto dos afectos (afeição, amor, paixão). Segundo os estados que provocam estes fenómenos, a afectividade desempenha um papel essencial na relação pedagógica ou educativa. A afectividade desencadeia e orienta a actividade. Determina o modo de estar. É fonte de perturbações profundas e de complexos. É o fundamento das relações intersubjectivas: a confiança, a identificação, a situação de Édipo, a projecção, a imitação, as relações de família e de grupo, nomeadamente no interior da turma. Na adolescência, a afectividade reveste formas específicas, frequentemente contraditórias: generosidade, jogo, cultura e sentimentos comunitários, por um lado; concentração, interrogação sobre si próprio, abertura a outrem, crise de originalidade, explosões, revolta, insolência, violência, negativismo, por outro. No decurso deste período, a afectividade pode dar lugar a desordens patológicas, às nevroses e às psicoses.

 

Ágape 

Amor, amizade desinteressada, caridade. Designava também a «refeição comunitária dos primeiros cristãos partilhada por ricos e pobres». Ágape não designa somente um preceito de moral; ela evoca uma forma de felicidade que resulta da participação na vida divina; o seu sentido primeiro é rigoroso (Devemos o seu uso filosófico a São. Paulo).

 

Agnosticismo

Doutrina ou atitude filosófica que declara o absoluto inacessível ao espírito humano. O agnóstico opõe-se aos «gnósticos» (que exaltam a crença irracional) e aos «dogmáticos» (que afirmam a verdade absoluta dos seus raciocínios). O agnóstico distingue-se do ateu. Aquela corrente de pensamento não nega a existência de Deus, o que ela nega é a possibilidade de conhecer a existência de Deus, sem se pronunciar negativamente sobre o facto desta existência. A existência de Deus, bem como a sua inexistência são indemonstráveis à luz da razão, pelo que o homem não tem, segundo o agnosticismo, qualquer possibilidade de formular juízos sobre esta questão. «... o agnosticismo em metafísica gerou o cepticismo em ciência, privando o homem da esperança de alcançar a verdade» (Álvaro Ribeiro).

 

Agressividade 

Tendência para manifestar actos de hostilidade ou agressão. Expressa-se quer em comportamentos motores violentos ou destruidores, quer na forma simbólica da ironia. Também a ausência de acção pode ser considerada uma modalidade de agressão. A agressividade pode ter por objecto os outros – agressividade física e agressividade verbal – ou o próprio sujeito – complexo de culpa, de inferioridade, depressões, etc. O adolescente, geralmente mais abertamente que a adolescente, mostra-se muitas vezes agressivo nas suas posições perante o adulto. Esta agressividade, própria no adolescente, manifesta-se também no acto gratuito, no tumulto e mesmo no silêncio em relação ao adulto. As reacções deste, educador ou professor, a esses comportamentos agressivos, explicam em parte as dificuldades que ele experimenta na sua acção, nas suas relações com os jovens. Um conhecimento aprofundado da psicologia do adolescente permitir-lhe-á compreender melhor o comportamento daqueles e a ajudá-los a abrir-se a caminhos mais felizes.

 

Aleatório

Sujeito a contingências; dependente do acaso, de circunstâncias futuras; casual; fortuito. Diz-se do "acontecimento" que não se sabe  a priori se se produzirá ou não, ou que pode ocorrer de diversas formas imprevisíveis.

 

Alegoria

Representação de uma ideia por meio de imagens. (ver a Alegoria da Caverna de Platão).

 

Alemã (Filosofia)

Designa, quase exclusivamente, o período que vai de Kant a Hegel, e constitui a grande época do idealismo alemão (Kant, Reinhold, Maimon, Fichte, Jacobi, Schelling, Hegel). Este período foi precedido, no séc. VVII, pela filosofia de Leibniz, vulgarizada por Wolff. O idealismo alemão vai marcar toda a filosofia dos séculos XIX e XX.

 

Alienação 

Privação de um direito ou de uma qualidade. A alienação mental não tem, no tempo actual, um sentido psicológico, mas social. E significa a privação de levar uma vida normal. A alienação operária, sobre a qual insistiu o marxismo, designa simplesmente o facto de os operários não serem proprietários do produto do seu trabalho: o operário é alienado porque é tratado como uma coisa, como um instrumento de trabalho.

 

Alternativa

Sistema de duas proposições tais que a verdade de uma leva à falsidade da outra, e reciprocamente. As célebres antinomias de Kant são exemplos de alternativas: a) «A matéria é composta de elementos indivisíveis, ou é divisível até ao infinito». b) «O mundo foi criado ou existe desde toda a eternidade». Entre as duas proposições de uma alternativa não há de meio-termo; eis porque se alguém poder provar a falsidade de uma, a verdade da outra será estabelecida. Por extensão: situação pela qual só se pode escolher entre duas partes.

 

Altruísmo

Termo criado por A. Comte, cerca de 1830, para designar os sentimentos desinteressados. Atitude solidária para com o próximo. Os seus elementos são: a dedicação, a veneração, a bondade. O altruísmo (como e egoísmo, que é o seu contrário) supõe a constituição da personalidade e a formação da consciência individual. Nós somos responsáveis pelo nosso altruísmo como pelo nosso egoísmo. O altruísmo é um princípio da conduta moral (que também se opõe ao hedonismo e, numa certa medida, ao utilitarismo).

 

Ambiência

Conjunto de circunstâncias que rodeiam um indivíduo. Clima psicológico, nomeadamente a tonalidade afectiva em que se desenrolam a vida, as actividades da família, da escola, da turma. A ambiência é de uma importância capital para a vida de uma comunidade familiar ou escolar. Pode-se analisar e apreciar, por exemplo, a ambiência de uma turma por referência às condições materiais, físicas, psicológicas nas quais ela se desenrola.

 

Ambiguidade

Qualidade do que é ambíguo. Duplo sentido de uma palavra, de uma expressão ou de um pensamento. Sentido duvidoso, susceptível de diversas interpretações.

 

Ambivalência

Qualidade do que tem dois valores. Neste sentido, é a possibilidade de um sujeito experimentar, ao mesmo tempo, uma dada situação na qual coexiste sentimentos antagónicos em face do mesmo objecto, possibilitando duas interpretações diferentes.

 

Amnésia

Diminuição ou perda da memória.

 

Amor

Movimento do coração que nos leva em direcção a um ser, um objecto ou a um valor universal. É assim que Platão, no diálogo O Banquete, distingue diferentes graus de amor, segundo o qual se relaciona a um indivíduo concreto, a uma ideia geral (por exemplo, o amor dos valores nacionais ou profissionais, o amor das ciências, etc.) ou à luz da Verdade (amor que requer toda uma iniciação filosófica e religiosa).

 

Amoral

O amoral não é imoral. É aquele que não tem consciência do bem e do mal, nem da existência de juízos morais.

 

Amoralismo 

Negação de toda a moral universal. O amoral não é imoral. É aquele que não tem nenhuma consciência do bem e do mal, nenhuma consciência da existência de juízos morais.  É preciso distinguir o amoralismo social, que é a ausência do sentido das convenções, e o amoralismo absoluto, que é a ausência total do sentido dos valores humanos em geral.

 

Amorfo

Tipo de carácter cujas componentes fundamentais são a ausência de emotividade, de actividade, de aprofundamento dos acontecimentos que ocorrem.  

 

Amostra

Parte do universo estatístico observável sobre o qual se faz incidir o estudo. Uma amostra é considerada aleatória se cada elemento individual tem, em princípio, a mesma probabilidade de ser escolhido que qualquer outro da população a que pertence o universo considerado.

 

Amostragem 

Termo empregue em psicometria para designar o elemento representativo de um grupo de referência, com o qual se compara a nota obtida por um indivíduo qualquer, na altura da prova de um teste mental. Sentido lato: Técnica de investigação de determinadas características de um universo de seres ou coisas, que consiste em considerar como idóneo um sistema preestabelecido de amostras para depois se generalizarem as conclusões ao universo estatístico, com uma margem de erro aceitável.

 

Análise 

Exame de algo. Decomposição de um todo em seus princípios ou em seus elementos, e consiste em enumerar, distinguir e comparar entre eles as ideias parciais contidas na ideia geral. A análise é, com a síntese, um dos procedimentos mais gerais do pensamento. Foi a necessidade de análise que animou toda a investigação dos elementos primeiros das coisas desde Demócrito e Epicuro até à microfísica moderna. A análise reflexiva, praticada em Filosofia, assenta sobre as condições e a estrutura do pensamento; o seu objectivo é chegar ao conhecimento da natureza original do espírito e, fundamentalmente, de resolver problemas. Mais especificamente, a análise é o exercício reflexivo que consiste, sobretudo ao nível do ensino secundário e superior, em distinguir e separar os elementos essenciais de um texto [ou de outro recurso educativo], a fim de retirar dele os sentidos, as determinações e as relações que os ligam no conjunto que constitui a sua síntese. Podemos esquematizar, assim, o que se entende, neste sentido, pela análise: compreensão global do sentido de um texto; compreensão da estrutura lógica de um texto, evidenciando as diferentes ideias nele contidas e a sua articulação entre as mesmas; domínio da terminologia; enumeração, distinção e compreensão entre si das ideias parciais contidas numa ideia geral. 

 

Analíticos (Primeiros e Segundos)

Partes do Organon (os livros que constituem a sua terceira parte) de Aristóteles, onde se encontra exposta a sua lógica, especialmente, a teoria da dedução e do raciocínio rigoroso (silogismo) cuja forma ele conservou sempre. Como o disse Kant: «Depois de Aristóteles, a lógica formal não fez mais progressos».

 

Anarquia 

Estado de um povo que não está organizado segundo um sistema de governo. Platão definiu a anarquia como um caso limite da democracia.

 

Animismo

Sistema que considera cada coisa como animada. Crença própria dos povos primitivos, segundo a qual todos os objectos, animados e inanimados, possuem uma «alma» (lat. anima), ou seja, tem uma presença activa dotada de querer e poder semelhante à do homem.

 

Anormal 

Contrário à ordem habitual das coisas. A noção de anormal é uma noção eminentemente social e psicológica mal definida. O indivíduo anormal não é um indivíduo inferior, mas diferente dos outros. O anormal é simplesmente o que é particular, o que não é a regra geral.

 

Antítese

Oposição entre duas proposições. O contrário da tese.

 

Antropocentrismo

Concepção que considera o homem como o centro de todas as representações e de toda a verdade.

 

Antropomorfismo

Tendência que considerar toda a realidade como semelhante à realidade humana.

 

Antropologia Cultural

A antropologia cultural estuda o homem em sociedade.

 

Antropologia Filosófica

Estudo filosófico do homem. Em metafísica, a antropologia opõe-se à ontologia, que é o estudo filosófico do ser. Uma Filosofia antropológica é uma Filosofia humanista. «Conhece-te a ti mesmo e deixa a Natureza aos deuses» (Sócrates), é o exemplo deste tipo de Filosofia.

 

Aplicação

Acto que concentra a atenção e o espírito sobre um trabalho, um estudo. Por extensão, acto de pôr em prática uma regra, um método, um princípio, uma lei, uma teoria, uma concepção – a resolução de um problema. Nestes diferentes sentidos, a aplicação conduz o aluno a: 1) exercícios de treino da atenção, da reflexão com a finalidade de compreender questões, problemas, e de lhes encontrar respostas e soluções; 2) exercícios que consistem em dar exemplos do emprego de uma regra, de uma solução, de um método; 3) recorrer às indicações formuladas no decorrer de uma lição, de uma exposição, de uma explicação, a fim de mostrar que compreendeu o que lhe foi ensinado. O aluno aplica as aprendizagens anteriores a uma variedade de situações. Ao chegar a este nível da aprendizagem, os alunos põem em prática capacidades, aptidões e competências adquiridas.

 

Apodíctico

Juízo ou proposição que enuncia uma necessidade lógica e não um simples facto.

 

Aporia

Dificuldade lógica de um raciocínio que parece não ter saída.

 

A posteriori

Que é adquirido pela experiência (ver a priori).

 

Apreensão 

Acção de captar intelectualmente a ideia, ou as determinações – traduzidas numa imagem – de um objecto conhecido. Significando também o acto pelo qual a memória capta imediatamente e retém uma série de lembranças.

 

Aprendizagem

A aprendizagem consiste na modificação do comportamento resultante da prática. É considerada como a passagem de um comportamento inicial a um comportamento terminal, percorrendo uma série de pré-requisitos.

 

A priori

Que é anterior a toda a experiência. Opõe-se a a posteriori. O a priori distingue-se do a posteriori como o conhecimento racional do conhecimento experimental.

 

Aptidão 

Capacidade ou potencialidade relativa à realização hábil de uma tarefa. Característica física ou psíquica que torna aquele que a possui capaz de exercer bem uma função. Será, portanto, uma disposição inata ou faculdade adquirida que permite fazer qualquer coisa, ter êxito numa actividade. Assim falaremos de aptidões de tipo motor, que se exprimem pela natureza e qualidade do movimento; aptidões de tipo intelectual, que revelam os empreendimentos da inteligência prática ou especulativa; aptidões de ordem estética, que se suscitam da sensibilidade ou da afectividade.

 

Aquisição de Conhecimentos

Conhecimentos ou ideias adquiridos pela experiência e pelo estudo.

 

Arbítrio (Livre)

Poder de se determinar, uma vez que a vontade se comporta como um árbitro que decide.

 

Argumentação

Série de argumentos tendentes para a mesma conclusão, maneira de apresentar e de dispor os argumentos. No ensino, este termo é sinónimo de raciocínio, de demonstração, de dialéctica, e refere-se a toda a tentativa ou acção que leva o aluno a pensar de forma lógica, coerente, a fim de atingir uma prova, uma afirmação, uma conclusão.

 

Argumento 

É, em geral, um raciocínio mediante o qual se tenta provar ou refutar uma proposição, ou tese, convencendo alguém da verdade ou falsidade da mesma.

 

Aristocracia 

(Do gr. aristos, o melhor). Etimologicamente, «governo dos melhores», isto é, daqueles que são os mais cultos, os mais sabedores. Na noção de aristocracia, não há originalmente nenhuma ideia de um direito de nascença, de uma transmissão hereditária de privilégios sociais. É neste sentido que Platão, no diálogo a República, definiu a «aristocracia», como o governo dos melhores.

 

Arquétipo

Modelo ideal das coisas sensíveis. Exemplo: as ideias (termo empregue por Platão).

 

Artes (Belas)

Conjunto das artes, cujo objecto principal é a produção do belo e especialmente do belo plástico: pintura e escultura, mas também a música e coreografia, a poesia, arquitectura, arte decorativa, escultura e gravura.

 

Ascese 

Estado voluntário de austeridade, de mortificação, tendo por alvo a purificação ou elevação moral da alma. Diz-se, geralmente, de todo o exercício que põe à prova a paciência e perseverança da vontade: uma ascese filosófica, política. O ascetismo é o método moral que consiste em satisfazer o menos possível os instintos da vida animal, em dominar os seus desejos, e as sensações de prazer e de dor.

 

Assertório

Juízo ou proposição que enuncia um facto.

 

Ataraxia

Tranquilidade da alma que é consequência da moderação na procura dos prazeres:

 

Ateísmo

O ateísmo é a doutrina ou atitude que consiste em negar toda a representação de um Deus pessoal e vivo. Neste sentido preciso, o deísmo, que refuta toda a representação de Deus, é um ateísmo, tal como o panteísmo que identifica Deus com a natureza (Espinosa). Este é o sentimento do ateísmo na língua clássica. Hoje a noção de ateísmo tem uma extensão mais generalizada: designa a doutrina ou a atitude que consiste em negar a existência de Deus, qualquer que ela seja. Para os ateus não existe qualquer ser supremo, criador do Mundo e do Homem. A emergência do Mundo bem como de todos os seres nele existentes são explicados a partir das leis do movimento e desenvolvimento da matéria. Outro grande tema do crente – a Salvação – não está, para o ateu, no redimir dos seus pecados perante um Deus, mas sim no próprio homem. A negação de Deus não é sempre explícita; há gente, diz Nietzsche, que não se inquieta com a existência ou não-existência de Deus, a sua primeira e única inquietação diz respeito aos afazeres humanos, situação do homem e do seu destino. Foram Feuerbach e Marx que criaram a teoria moderna do ateísmo: Toda a crença em Deus é uma «alienação», uma fuga perante a realidade, perante o problema fundamental, que não é o da existência de um Deus, mas do futuro do homem. Quando Marx dizia que «a religião é o ópio do povo», ele entendia que o operário, alienado no seu trabalho e vivendo sem esperança de jamais aceder a uma condição melhor neste mundo, se deixa embalar pela ideia de um «outro mundo melhor», onde ele terá o seu justo lugar, ainda que, segundo Marx, a sua salvação tenha lugar aqui neste mundo: a consciência revolucionária deve subsistir a consciência religiosa, e a ideia de uma transformação do mundo e dos homens deve irromper nele. O homem deve compreender que não pertence ao «além», mas que, ao contrário, pertence aos homens e a sua religião ocorre sobre a terra, fazendo reinar a justiça social e numa sociedade conforme à moral.  Em suma, o ateísmo não exclui as virtudes morais próprias do humanismo; todavia, recusa a intervenção de uma Divina Providência na construção do Mundo, e, somente, conta com a coragem, o trabalho e a vontade dos homens.

 

Atenção

Concentração do espírito sobre um objecto determinado. Distingue-se a atenção espontânea ou automática, que não exige nenhum esforço, da atenção voluntária ou reflexiva, que implica um esforço pessoal.

 

Atitude

Modo de proceder. Atitude mental: estado de consciência anterior à palavra e à imagem, que consiste na preparação para o acto, sendo revelada pelas sensações subjectivas que a acompanham. Atitude moral: comportamento ou disposição para agir, que num grupo social se impõe, mais ou menos, aos indivíduos, como consequência de normas ou de representações colectivas.

 

Atitude Filosófica

Toda a reflexão é pensamento, mas nem todo o pensamento é reflexão. A reflexão é um tipo de pensamento consciente, capaz de se pôr em causa e, por isso, capaz de comparar-se com a realidade sobre que pensa. Esta atitude, porque objectiva, pode aplicar-se às impressões que nos causam as opiniões, os conhecimentos do senso comum, científicos e técnicos, interrogando os seus significados e utilidade. Com efeito, a atitude reflexiva é um retomar do já pensado, reconsiderar os dados disponíveis, buscar o incessante significado das coisas. A atitude filosófica é, assim, uma reflexão sobre a globalidade dos problemas que afectam o pensamento humano.

 

Atomismo

Doutrina filosófica segundo a qual a matéria é formada por átomos. Atribui-se geralmente a paternidade do atomismo a Demócrito, para quem o mundo era formado de átomos idênticos; a análise das coisas deveria conduzir, para além das formas artificiais, à realidade verdadeira, que é o átomo.

 

Átomo

(Do gr. Indivisível). O mais pequeno elemento de um corpo, e, como o seu nome indica, indivisível. Esta designação foi dada pelos filósofos gregos. É ainda a designação dada na ciência ao elemento primário da composição química dos corpos, ou seja, é a parte mais pequena, indivisível por métodos químicos, de um elemento. Embora o átomo seja divisível por métodos físicos, as suas componentes não conservam já as propriedades químicas dos respectivos átomos.

 

Atributo

Termo, que numa proposição, designa aquilo que se afirma ou nega do sujeito.

 

Autonomia

Capacidade do ser humano que lhe permite determinar-se segundo as normas da sua própria reflexão e da sua própria vontade. Ela manifesta-se pela independência da conduta, sendo esta orientada de acordo com regras ou imperativos que o indivíduo se dá a si mesmo, por sua livre escolha. As novas finalidades educativas, os progressos dos métodos de ensino e de educação, que visam a formação da personalidade da criança e do adolescente, introduzem a necessidade de fazer conquistar por estes uma autonomia real.

 

Autoridade

Poder de decidir, competência. Este poder supõe o de obrigar (falamos, assim, de poder autoritário); no entanto, reserva-se o termo autoridade para o ascendente pessoal, para a capacidade de conseguir, sem constrangimento, o assentimento ou a obediência (ter uma autoridade moral sobre alguém).

 

Auto-sugestão

Influência automática de uma ideia sobre a nossa conduta. A auto-sugestão é uma sugestão a partir de nós mesmos. É a nossa própria disposição de evocar sem cessar uma ideia que acaba por determinar automaticamente a nossa conduta.

 

Avaliação

Avaliar é a tarefa que tem por objectivo apreciar, julgar, determinar a valia ou o valor de um trabalho, de uma acção, de uma ideia, e dizer qual o nível de consecução, de merecimento, de objectividade alcançados pelo aluno. A avaliação dos alunos é um elemento integrante da prática educativa, que permite a recolha sistemática de informações e a formação de juízos para a tomada de decisões adequadas às necessidades dos alunos e do sistema educativo. Esta avaliação visa prosseguir as seguintes finalidades: estimular o sucesso educativo dos alunos; certificar os saberes dos alunos; promover a qualidade do sistema educativo. Com o fim de estimular o sucesso educativo, a avaliação tem carácter sistemático e contínuo; com o fim de certificar os saberes adquiridos, a avaliação afere os conhecimentos, competências e capacidades dos alunos. A avaliação requer a definição prévia de critérios. Senão, o aluno não fará avaliação mas sim emitirá uma opinião, em vez de fazer um juízo de valor. Além da utilização dos critérios previamente definidos, a avaliação requer do aluno que faça a análise e a comparação dos elementos a avaliar.

 

Axiologia 

Teoria dos valores, especialmente dos valores espirituais. Mais precisamente, moral que estabelece uma hierarquia entre os valores, colocando, por exemplo, em primeiro lugar, o respeito pelo bem; depois, o respeito pelo que é nobre e pelo que é belo; mas também o respeito pela verdade, pelo sagrado, etc.

 

Axioma

Premissa evidente, por si própria, que não necessita de demonstração. Distingue-se do postulado, que é simplesmente posto sem ser evidente. Sendo uma proposição não demonstrável, a sua aceitação como verdadeira impõe-se na formação de uma perfeita sequência lógica. «Os axiomas são afirmações que incidem sobre conhecimentos relativos ao pensamento humano e, portanto, substituíveis quando convir aos progressos da cultura» (Álvaro Ribeiro).

 

 

LIVROS / EBOOKS

 

FILOSOFIA

 

Para que serve a filosofia

A Fundamentação Metafísica da Esperança em Gabriel Marcel

Vergílio Ferreira e o Existencialismo

A Razão Universal em Álvaro Ribeiro

A Felicidade Segundo Santo Agostinho

A desigualdades entre os homens segundo Rousseau

Felicidade e Natureza Humana Segundo David Hume

 

EDUCAÇÃO

 

Organização e Desenvolvimento Curricular

Como Organizar Um Trabalho Escolar

Ciências da Educação: Glossário

 

ARQUIVO

 

O pensamento mítico

Pensamentos

Programas de Filosofia (10.º, 11.º e 12.º anos) V

Provérbios

Sabia que...

Os Sete sábios da Grécia

 
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