Sócrates morreu em defesa da Filosofia, conversando com amigos e discípulos.

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Felicidade e Natureza Humana Segundo David Hume

 

© António A. B. Pinela (1992)

Capa: António R. B. Pinela

Edição: do autor

1.ª Edição (eBook): 2003

Páginas: 82

Dimensões: 15x21 cm

Publicação online: www.eurosophia.com

PVP: 4,00 €

 

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Sobre o autor

 

Apontamento

 

A “felicidade” é um daqueles temas que está pouco tratado entre nós e, contudo, a todos implica. Quem não sente o desejo de viver uma vida tranquila, liberta de preocupações excessivas, plena de satisfação, alegre? O mais taciturno dos homens conduzirá, por certo, a sua vida no sentido da felicidade; a mais maquiavélica das mentes exercitará a sua acção espúria para atingir os objectos da sua paixão; o espírito benfazejo não terá outra coisa em mente senão a felicidade, contribuindo com a sua prática para que os outros a tenham. Numa palavra, todos queremos ser felizes. Esta é a razão do presente trabalho: reflectir sobre a felicidade e natureza humana, ainda que de modo bastante circunscrito.

São suporte deste escrito, os Ensaios Morais (O Epicurista, O estóico, O Platónico e O Céptico) de Hume, embora utilize algumas referências de outras obras do mesmo autor. Não li comentadores dos Ensaios, propus-me, para minha própria aprendizagem, desenvolver, digamos, uma certa hermenêutica dos textos de Hume. Assim, é minha intenção interpretar, sem adulterar, o que Hume entende por realização de uma vida feliz, embora tenha consciência de que não é uma tarefa fácil, tendo em conta o estilo literário de Hume que nos deixa, por vezes, muitas dúvidas de interpretação, mas também nos deixa o gosto e o entusiasmo pela descoberta e novidade do tema.

A primeira parte do trabalho procura explicar que, afinal, a felicidade humana, meta para que todos tendemos, está intimamente relacionada com a nossa conduta, o nosso modo de ser e estar na vida. É também tido em consideração os reparos que Hume faz quanto à possibilidade das regras de arte determinarem a felicidade, ideia que ele rejeita, visto que as paixões humanas não obedecem a espartilhos e manifestam-se das mais variedades formas. São também consideradas como contribuição para a vivência do prazer, as situações de trabalho, de repouso, bom como de saúde. Por último, regista-se que os objectos susceptíveis de proporcionar satisfação ao homem devem procurar-se fora do sujeito da paixão e não, apenas, na esfera do ‘eu’.

A segunda parte centra-se, essencialmente, sobre a paixão e a felicidade, crítica à generalização de princípio e influência da filosofia. No que respeita à primeira questão, constata-se que sem uma vida de paixão não é possível feliz, ainda que nem sempre aquela siga o caminho da virtuosidade. De qualquer forma, só é feliz, aquele que efectivamente concretize as suas tendências, sejam elas virtuosas ou viciosas. Quanto aos segundo tema, Hume critica, sem contemplação, sábios e filósofos que pretenderam generalizar as suas próprias vivências, tornando-as princípios que outros deveriam seguir, se desejassem em felicidade. Conclui-se nesta reflexão que só ocasionalmente os princípios – de ordem moral – serão seguidos, mas sem que cada um se preocupe com eles. Finalmente, quanto à influência da filosofia, penso que Hume não rejeita totalmente esta possibilidade, embora vá dizendo que só indirectamente, não como guia, mas como um saber que pode, em algumas circunstâncias, sugerir maneiras de melhorar o aproveitamento dos objectos dos nossos desejos, sem procurar substituí-los nem limitá-los.

No termo desta introdução, direi que tenho plena consciência de que, neste trabalho, não são tratadas exaustivamente todas as ideias contida nos Ensaios Morais, nem é essa a minha pretensão. O texto que se segue é, tão-somente, uma leitura possível de entre tantas, dada a riqueza temática que Hume desenvolve e a especificidade do assunto.

 
 

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Sobre o autor dos textos Última actualização: 21/06/19
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