Sócrates morreu em defesa da Filosofia, conversando com amigos e discípulos.

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A Razão Universal em Álvaro Ribeiro

© António A. B. Pinela (1993)

Capa: António R. B. Pinela

Edição: do autor

1.ª Edição (eBook): 2004

Páginas: 98

Dimensões: 15x21 cm

Publicação online: www.eurosophia.com

PVP: 4,00 €

 

 

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Sobre o autor

 

Apontamento

 

Procurar saber até que ponto a língua portuguesa é um bom veículo de expressão da Filosofia, problema levantado por Álvaro Ribeiro, era, inicialmente, o âmbito do nosso interesse pelo estudo da obra A Arte de Filosofar; no entanto, as leituras e reflexões ulteriores, efectuadas no Seminário «Cultura, Literatura e Filosofia: Leitura de Textos Portugueses» inflectiram o nosso interesse e estendemos, por isso, o estudo à I Parte da obra, «A Razão Universal», tema que colhemos de Ribeiro para título do presente estudo.

Temos consciência de que a obra que nos propomos analisar trata de questões de difícil abordagem e, como se tal não bastasse, o próprio autor não ajuda muito a compreender alguns temas que aborda, dado que, com frequência, inicia reflexões que não conclui ou esclarece, mas que apenas refere de passagem, o que dificulta, por vezes, uma clara apreensão das intenções do filósofo. De qualquer modo, achámos interessante analisar as temáticas que Ribeiro traz à discussão e, tanto quanto nos for possível, esclarecê-las e atribuir-lhe o devido valor, segundo a nossa leitura.

Foi, de facto, «A aptidão da língua portuguesa para a Filosofia» (rubrica I) que nos fez interessar pelo temário proposto por Álvaro Ribeiro. A leitura da obra fez-nos pensar que temos o hábito de desvalorizar tudo (ou quase) quanto é português, até a própria língua! Diz-se que não se houve música portuguesa, porque o dizer ou o cantar não é tão sonoro ou melódico como o cantar e dizer em língua inglesa, por exemplo; não se vê muitos filmes portugueses, porque os filmes americanos ou ingleses têm qualidade superior; não se lê ou se lêem poucos ensaios e outras obras científicas ou filosóficas de autores portugueses, porque os nossos investigadores ainda não atingiram os níveis alcançados lá fora; enfim, mais concretamente, no que concerne à Filosofia, não temos um Kant ou um Hegel, um Descartes ou um Sartre, um Hume ou um Russell que nos sirva de bilhete-postal, para que se faça luz sobre as reais capacidades do pensar em português! E, todavia, como pensa Ribeiro, a nossa língua não é menos apta que as outras línguas românicas para a tradução e para expressar a razão humana, visto que a razão é universal e a todos cumpre por igual o privilégio da sua comunicação.

Tendo em conta «A complexidade da linguagem e o rigor da comunicação» (rubrica II), e porque o tema anterior o sugere, abordaremos a importância do signo linguístico, como elemento fundamental da comunicação e realçaremos o valor ontológico do discurso, sem esquecer que falar implica o concurso de "todo o corpo" e não apenas de alguns órgãos próprios, como querem os positivistas

Na sequência do presente estudo, cabe analisar o valor e o sentido lógico das palavras, já que os positivistas tendem a substituí-las por símbolos, devido a que, na sua opinião, estes são mais estáveis e rigorosos que as próprias palavras. Pois, para eles, como se escreve em III.1, «Só o conhecimento dos factos é fecundo» e é só por meio da linguagem simbólica que tal conhecimento é possível. Relega-se, assim, para um plano secundário a linguagem natural. Daí que o estudo de «A significação das palavras, as novas teses e os princípios lógicos» (rubrica III) tenha sentido, a fim de se verificar até que ponto a redução das palavras a símbolos, mesmo que limitada às ciências experimentais, permite o desenvolvimento intelectual ou a possibilidade da inovação. Ora, se as palavras são, por assim dizer, entidades "vivas", as suas significações, e não a simbologia das ciências, são necessárias à expressão da razão e à possibilidade de elaboração de novas teses.

A «Razão e crença, pensamento e realidade» (rubrica IV), último tema que se reflecte, aborda a universalidade da razão, visto que sem ela não é possível prosseguir o caminho que se situa entre a ciência e a ignorância. Enfim, a reflexão em torno desta rubrica encaminha-nos para a compreensão das verdades lógica (verdade dos conhecimentos) e ontológica (verdade das coisas) inseridas no contexto da Natureza que apenas conhecemos imperfeitamente.

Não poderíamos deixar de reflectir sobre o sobrenatural que não podemos conhecer empiricamente, mas que nos dá a garantia de acesso não só a conhecimentos particulares, como também a conhecimentos superiores ou universais, sem esquecermos que, como, pensa Ribeiro, ao conhecimento de Deus só chegaremos por meio de inferências. (...)

 
 

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Sobre o autor dos textos Última actualização: 21/06/19
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