Sócrates morreu em defesa da Filosofia, conversando com amigos e discípulos.

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A exigência do rigor reflexivo

 

Álvaro Ribeiro, filósofo português, mostra uma certa mágoa pelo facto de algumas críticas considerarem que a língua portuguesa é destituída de qualidades que a tornem apta para a expressão filosófica. No entanto, segundo considera o filósofo, a responsabilidade daquelas críticas não deve ser atribuída à língua portuguesa, que seria neste caso um mau instrumento de expressão filosófica, mas sim a alguns dos que comunicam as suas próprias reflexões. Para esclarecer a sua posição, Álvaro Ribeiro reporta-se ao modo como certos filósofos portugue­ses tecem as suas ideias. E, a propósito, cita como exemplo Cunha Seixas, Sampaio Bruno e Leonardo Coimbra que manifestam uma preocu­pação excessiva de «densidade sintáctica que perturba a limpidez do estilo didáctico». Além deste aspecto considerado negativo, Ribeiro nota, nestes filósofos, uma exuberante carga de imagens e de palavras ou frases em sentido figurado que, em lugar de contribuírem para tornar claras as ideias, antes escondem a capacidade de produzir um discurso claro e convincente.

No entanto, Ribeiro diz, logo de seguida, que a leitura de outros autores, como António Verney, Antero de Quental e António Sérgio, proporciona compreensão e agrado. Mas embora isto seja verdade, aque­les que estudam estes pensadores e elogiam a sua forma de comunicação escrita, não deixam de notar que mesmo nestes exemplos a prosa portu­guesa não exprime ainda a persuasão analítica, o discernimento pene­tran­te e a promoção sintética que transparece nos livros dos filósofos es­tran­geiros. Decorre desta posição que faltará, então, à expressão filosó­fica, em língua portuguesa, o rigor reflexivo e expressivo que o temário filosófico requer. Todavia, Álvaro Ribeiro não deixa de observar que o juízo negativo acerca das obras dos filósofos portugueses não incide sobre os conteúdos dos seus pensamentos, mas sobre o modo de os expressar. Mas mesmo a este nível, Ribeiro é de opinião de que tais críticas se devem, em muito boa parte, a ligeireza ou negligência com que as leituras são feitas (António A. B. Pinela). Ler mais

 
 
 

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Sobre o autor dos textos Última actualização: 21/06/19
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